terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Em Gotas Limpas

Chuva é como redenção.Como se os céus quisessem limpar a vida da gente.E aquela que vem no fim da tarde,depois de um calor impiedoso,ela parece levantar do asfalto mais do que fumaça.Parecem almas,sonhos,planos,pesadelos,cargas de tristeza alheia,as vezes até a minha.E o que seria a minha tristeza se não um vapor do que a falta faz.Falta de amor,de um lírio na varanda,de um cabelo bagunçado,de um peito apertado.Falta de si dentro de si à se abraçar.
"Não espere,porque eu não volto logo..."

Eram tantas cores,eram tantos pontos cardiais espalhados nos olhos do velhos amigos.Hoje o dia nasceu cinza,e já faz tempo que ele não me deixa ver outra cor.E os velhos amigos são vagas lembranças de um "para sempre" empoeirado.Ai eu canto debaixo da chuva,e parece que a redenção me enviará aos céus e me curará os ferimentos,esquecerá meus pecados e me fará dormir como se eu nunca tivesse existido.Ah,eu nunca me canso de ser livre.Mas sabe que a liberdade me entristece? Ela me prende os braços alias,me cobre os olhos,me solta os cabelos,e não me liberta de mim que é minha única prisão.A liberdade está aí,toda liberta.Cadê ela que não me deixa estar só.Então chove todas as manhãs,e as flores nunca crescem como eu quero,por isso nunca às ponho no cabelo.

-Querido,quando vier segure a minha mão pra atravessar a rua,bagunça o meu cabelo pra que ele não sinta falta das flores.Querido,quando vier faz-me esquecer como é ser só.Faz me admitir que eu não sei me acostumar com isso.E então,quando a noite chegar me abraça até que ela se vá...


Que afinal,a chuva te traga em gotas limpas para mim.


(Elisama Oliveira)
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