quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Nota Rápida à Inocência


Dentre todas as histórias que me contavam quando eu era criança,sempre me concentrava nas de sereias.
Seres bonitos,meio peixe,meio menina,e encantadoramente adoravéis aos olhos do Homem.Eu me imaginava
olhando por debaixo dos barcos,procurando uma sereia e esperando que ela acenasse para mim.Que por desobediencia às suas leis,ela me pegasse pela mão e me levasse pra conhecer o mar,seu mundo secreto.E quando eu voltasse pra casa ninguém acreditaria,e iria chorar trancada em meu quarto.Envelheceria com a lembrança da cauda cintilante,indo para sempre.
Ao fundo,
          mais fundo,
              mais fundo
                 mais fundo
                       e sumir...


Porém,com a juventude vem o entedimente,e as maldades do mundo em si.Foi então que descobri,sereias matam.E cantam pra caçar,e riem pra enganar.Sereias corrompem,te cegam,te enlaçam.De repente,eu fico agradecida,por elas não existirem.Mas,existem medos,existem sombras,fotos rasgadas,e o fundo perdido do oceano.E a inexistência desse ser,só o torna mais perigoso.Assim como o medo que eu tenho da solidão do quarto escuro.Então se ela vier,que me leva a tristeza para sempre,ao fundo.É eu vou envelhecer sem acreditar nas sereias,e sem acreditar em nada.Na verdade,quando não se acredita em nada nem vale a pena estar vivo.


                                                   Elisama Oliveira
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