quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quem diria,enfim disse.

Querido ouça,


Há quem ainda julgue pela cor dos olhos.Há quem busque imperfeições nas gotas de chuva.
Há quem peça silencio em meio ao desespero de estar só.Então lá estava você,com as ruas nas mãos
e o mundo nos ombros.Toda vez que lhe faltavam umas palavras eu às estendia.Umas aceitas,outras sutilmente recusadas.Como eu gostaria de te carregar no colo às vezes.Teu orgulho te envelhece tanto.Te rouba os principios.Mas eu sempre sorria por dentro quando te assistia sendo arrogante.Era tão maliciosamente gracioso.Eu gostava,assim como gostava de um pouco de café no fim da tarde.
Tudo em você parece chuva.Teu abraço úmido,teu sorriso melancólico,tudo em você sempre choveu.E eu sempre assistindo da minha janela.Ah querido,me desculpe as tantas inconveniencias.Eu tenho tentado me manter de pé depois de tantos cacos.Você entende,ah sim,você entende Querido.Lembra quando falávamos sobre a vida e você sempre achava saber de tudo?
Pois é,eu nunca acreditei que tivesse.Mas eu aprendi que nunca se podiam tirar aqueles espinhos dos seus dedos.

Quem te roubou,te guardou em uma caixa aveludada só pro luxo de te ter aprisionado.Como os pássaros,você nunca foi mais do que um apreciador do céu.Nem via graça no poder de voar.Então se prendia no chão como se pudesse estar protegido.Você era uma amigo intimo da tristeza.Como se os olhos dela refletissem os seus.Como se as suas mãos estivessem sempre molhadas.E aquele jeito de falar
da morte,fingindo que não se lembrava do teu medo.Eu sei que você não queria morrer sem tentar ser diferente.É que ter orgulho é mais fácil do que ter esperança.Sangra menos.Ainda mais quando você chamava aqueles nomes que lhe foram tirados.Você é mesmo um sobrevivente.

Quem diria...

Justo o rapaz de camisas bem passadas que não seria o melhor exemplo de anjo torto.Justo ele saberia como é ter medo do escuro,como ter os pulsos presos e as lembranças amassadas.
Eu bem que julguei pela cor dos teus olhos.Eu busquei imperfeições nas tuas gotas de chuva,e olha só,foram elas que me fizeram te admirar tanto.Querido,eu poderia te comprar um presente esdrúxulo,e ouvir tua risada cafona só pra ter o prazer de vê-lo feliz.

É Querido,nós crescemos,afinal cheios de espinhos.



(Elisama Oliveira)
Postar um comentário