segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A sós com a lua

Estávamos então,à sós com a lua.De mãos dadas com o vento,e o rosto sobre a vida de quem ainda não sabia existir.Somos mesmo tão ridículos.E veja só,se ser ridículo não é o mesmo que ser livre.Livres,enfim.Mas,livres de quê? Perdoe-me,eu já nem vejo beleza na liberdade.Porém somos sim,livres do mundo que de fininho,nos aprisiona em seus feitos e defeitos.Onde todos caminham,e nós estamos correndo.Onde o céu é cinza,e nós os pintamos todos os dias com as cores do velho amor.

Eu sei então que é besteira querer um pouco mais de tempo.Tempo pra quê ? Pra não pular do décimo quinto andar.Pra não deixar a dama esperando na mesa de um bar.Pra esquecer a dor de ser sozinho.Pra ouvir e admirar os passarinhos.Esse é o meu sentido de viver.O meu sentir.Que ninguém vê,e me basta.
Então sim,vejo poesia até no café que esfria.Como o peito que esfria.Como o anjo que se desfaz em sonhos.Como a vida que acaba em flores.

Nós somos esse nó,singular como o quê.Um nó de esperança.

Somos todos de vidro afinal,nos quebrando conforme a música vai se esvaindo.E quando a tarde chega,somos nós todo cacos cheios de sangue.Prontos,pra que alguém nos cole caco à caco num peito nu carregado de cuidado.De novo,estamos inteiros.Afinal,até a tristeza tem seu fim,dado pelos braços abertos de quem observa as nuvens esperando que mais do que um desenho,encontre a vida de quem vai lhe juntar todos os pedaços.


                                                              Elisama Oliveira
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