sexta-feira, 23 de março de 2012

Nós passamos,e sós.

                        "Eu,do avesso sem trechos ou desculpas,senti.
      Tu,tão grande dentro de um mundo apertado,não viu."




Eu vi.De longa observação,um moço sentando.E era só,sim era só.Pois enquanto fumava,eu lia na sua fumaça a tristeza de quem não tem um velho sonho de que se orgulhar.Ele olhava para frente.Mas não via nada.Estava envolto num pensamento profundo.Num arrependimento,penso eu.E foi triste a forma como ele se sentou ali e esperou o tempo passar.Não passa.Nunca passa.O tempo não.Nós passamos.E nos deixamos e nos desmontamos.Estremeci.Acordei com a culpa de quem o havia abandonado.Porém que podemos nós fazer além de observar a tristeza e deixá-la seguir? Não pude.A minha estava ali.Me sorriu melancólica.E suspirou: "deixa criança,tu não podes roubar a dele,cuida de mim..."
E eu retornei a caminhar,pra cuidar da minha tristeza,pra curar-lhe os ombros,pra encher-lhe os olhos.
Porque nós,somos sim.Amigos da nossa tristeza,que nos vê e nos guarda com desdém.Conforme o dias passam,- minto,conforme nós passamos - ela vai se desgastando e sendo menos impertinente,até não ter forças nem para nos sorrir amarela.E se vai.É isso,esperar ela se cansar de nós.E esquecer que à nossa sombra esse pedaço de vida nos acompanha.



            Elisama Oliveira

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